Hoje meu pai completou 55 anos...e junto com seu envelhecimento vejo seus pedaços caindo pouco a pouco...
Vejo os traços de uma vida repleta de abandonos e faltas...Vejo as noites boêmias e os "embriagamentos" do amor que não vingou.
E sinto minha mãe lá longe...do outro lado...distante como o mar...encontrando os seus 60...anos e motivos, para viver e ser feliz...Nos dias em que tantas e tantas vezes precisou encontrar muitas maneiras de seguir. Sinto sua vida esvaindo, lutando dia a dia para segurar sua alegria silenciosamente, como um jardim que continua a fazer flor porque suas raízes se alimentam das profundezas da seiva que vêm de sua alma.
E eu caminho...dos 30 para os 40 perdida na poesia triste de minhas histórias...Caminho às vezes correndo e ofegante...às vezes devagar vendo a vida passar e sentindo que não quero morrer como meu pai, mas também não quero viver como minha mãe.
Continuo lutando para fazer do dia a minha noite, e da minha noite o meu dia...Olho atentamente as nuvens lá no céu porque talvez nelas exista desenhada uma outra forma, uma outra maneira de viver e de morrer...
17/02/14
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