Sou apenas uma mulher, sem
dinheiro, sem status, parda... Porque minha pele é branca, mas meu sangue é
negro, assim como meu cabelo é enrolado de um jeito nem lá, nem cá...
Meu gosto (em diferentes
aspectos) é oriental... Adoro andar no mato como uma indiazinha, descalça e descabelada...
Ou dançar em volta de uma fogueira em noite de lua cheia... Beber hidromel como
os nórdicos...
Não tenho uma religião específica,
mas acredito na multiplicidade dos Deuses e Deusas... E em cada momento escolho
um deles(as) para conversar...
Tive acesso à cultura, mas não
sou uma exímia conhecedora de literatura, nem uma enciclopédia ambulante, mas
leio um volume médio de 30 livros por ano (e não, isso não é uma meta, somente
uma estatística minha)...
Leio jornal, vou da página do
horóscopo ao caderno de política, mas confesso humildemente que não entendo de
políticas sejam elas públicas ou privadas, democráticas, parlamentares,
monárquicas, republicanas e outras... Assim como entro todos os dias no facebook
e me interesso por tudo que possa ser raso ou profundo...
E não! Não faço parte nem de manifestações
pacíficas, nem dos Black Blocks, nem dos “Rolezinhos”... Porque não me
interesso pela massificação, gosto mesmo é da diversidade que existe em todos
os indivíduos.
Gosto de me vestir (escolher algo
para usar antes de qualquer evento cotidiano ou não) até porque sempre estive
rodeada de mulheres lindas... Mas confesso que pouco vou às compras... Sou
consumista de restaurantes... Gosto mesmo é de comer bem!
Não me casei, não tenho filhos,
não namoro e me permito manter relações com quem, como, onde e quando quiser...
Sou bissexual (como dizem por aí
para todos aqueles que não possuem uma única opção sexual), mas sou bissexual
não só no corpo, mas em todo meu ser, porque vejo beleza em diferentes corpos,
formas, pensamentos e almas... E chego a morrer de prazer com tudo isso... Por
isso me considero uma pessoa muito privilegiada porque tenho um leque de
possibilidades que se abrem todos os dias à minha frente... Mas minha maior
luta não tem sido enxergar o outro, mas aprender a me ver e com isso amar e
respeitar meu corpo, minha alma, meus pensamentos, sentimentos e tudo aquilo
que sou!
Fiz e faço muitas coisas que não
vejo a maioria das pessoas fazerem e isso me torna alguém original?
Honestamente não sei... Mas sei absolutamente que isso não me faz nem melhor,
nem pior do que ninguém permite apenas com que eu sinta que sempre gostei muito
de experimentar a vida e de uma maneira intensa... E sei que com isso fiz coisas
das quais não me orgulho nem um pouco e outras que me ajudam a gostar um
pouquinho mais de mim... E até achar que de vez em quando sou bem corajosa
(qualidade essa que aprecio imensamente nas pessoas)... Mas no fim das contas a
verdade (a minha) é que tive minhas dores e apesar delas muitas alegrias... E
momentos de êxtase...
Mas, antes de qualquer coisa,
classificação ou segmentação, sou Gente, sou Ser Humano, bicho estranho como
todos vocês e apenas mais um na multidão buscando dia a dia não me perder mais
de mim, e quem sabe com sorte e com a ajuda de minha obstinação encontrar meu
lugar no mundo, sem que para isso eu precise me desviar dos meus valores e
minhas crenças...
E meu desejo mais importante é
que: apesar de qualquer coisa que possa acontecer no meu caminho eu não me
desvie do objetivo que é conseguir viver bem... com as minhas diferenças, com
as suas, com as nossas, porque todos nós, no fundo, no fundo... somos iguais.