Fotografias

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Segmentação


Sou apenas uma mulher, sem dinheiro, sem status, parda... Porque minha pele é branca, mas meu sangue é negro, assim como meu cabelo é enrolado de um jeito nem lá, nem cá...
Meu gosto (em diferentes aspectos) é oriental... Adoro andar no mato como uma indiazinha, descalça e descabelada... Ou dançar em volta de uma fogueira em noite de lua cheia... Beber hidromel como os nórdicos...
Não tenho uma religião específica, mas acredito na multiplicidade dos Deuses e Deusas... E em cada momento escolho um deles(as) para conversar...
Tive acesso à cultura, mas não sou uma exímia conhecedora de literatura, nem uma enciclopédia ambulante, mas leio um volume médio de 30 livros por ano (e não, isso não é uma meta, somente uma estatística minha)...
Leio jornal, vou da página do horóscopo ao caderno de política, mas confesso humildemente que não entendo de políticas sejam elas públicas ou privadas, democráticas, parlamentares, monárquicas, republicanas e outras... Assim como entro todos os dias no facebook e me interesso por tudo que possa ser raso ou profundo...
E não! Não faço parte nem de manifestações pacíficas, nem dos Black Blocks, nem dos “Rolezinhos”... Porque não me interesso pela massificação, gosto mesmo é da diversidade que existe em todos os indivíduos.
Gosto de me vestir (escolher algo para usar antes de qualquer evento cotidiano ou não) até porque sempre estive rodeada de mulheres lindas... Mas confesso que pouco vou às compras... Sou consumista de restaurantes... Gosto mesmo é de comer bem!
Não me casei, não tenho filhos, não namoro e me permito manter relações com quem, como, onde e quando quiser...
Sou bissexual (como dizem por aí para todos aqueles que não possuem uma única opção sexual), mas sou bissexual não só no corpo, mas em todo meu ser, porque vejo beleza em diferentes corpos, formas, pensamentos e almas... E chego a morrer de prazer com tudo isso... Por isso me considero uma pessoa muito privilegiada porque tenho um leque de possibilidades que se abrem todos os dias à minha frente... Mas minha maior luta não tem sido enxergar o outro, mas aprender a me ver e com isso amar e respeitar meu corpo, minha alma, meus pensamentos, sentimentos e tudo aquilo que sou!
Fiz e faço muitas coisas que não vejo a maioria das pessoas fazerem e isso me torna alguém original? Honestamente não sei... Mas sei absolutamente que isso não me faz nem melhor, nem pior do que ninguém permite apenas com que eu sinta que sempre gostei muito de experimentar a vida e de uma maneira intensa... E sei que com isso fiz coisas das quais não me orgulho nem um pouco e outras que me ajudam a gostar um pouquinho mais de mim... E até achar que de vez em quando sou bem corajosa (qualidade essa que aprecio imensamente nas pessoas)... Mas no fim das contas a verdade (a minha) é que tive minhas dores e apesar delas muitas alegrias... E momentos de êxtase...
Mas, antes de qualquer coisa, classificação ou segmentação, sou Gente, sou Ser Humano, bicho estranho como todos vocês e apenas mais um na multidão buscando dia a dia não me perder mais de mim, e quem sabe com sorte e com a ajuda de minha obstinação encontrar meu lugar no mundo, sem que para isso eu precise me desviar dos meus valores e minhas crenças...

E meu desejo mais importante é que: apesar de qualquer coisa que possa acontecer no meu caminho eu não me desvie do objetivo que é conseguir viver bem... com as minhas diferenças, com as suas, com as nossas, porque todos nós, no fundo, no fundo... somos iguais.

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

17/02/14

" Bom dia aos navegantes internáuticos! Bom dia aos que possuem uma vida feliz e perfeita! Vidas repletas de: "focos", "forças", "foda-ses" e...? E...? "Fé (zes)?"

17/02/14

"Não! Não vou gastar meu latim...nem meus latidos...muito menos meu bom e velho "protuguês""

Uma família "doriana"

Hoje meu pai completou 55 anos...e junto com seu envelhecimento vejo seus pedaços caindo pouco a pouco...
Vejo os traços de uma vida repleta de abandonos e faltas...Vejo as noites boêmias e os "embriagamentos" do amor que não vingou.
E sinto minha mãe lá longe...do outro lado...distante como o mar...encontrando os seus 60...anos e motivos, para viver e ser feliz...Nos dias em que tantas e tantas vezes precisou encontrar muitas maneiras de seguir. Sinto sua vida esvaindo, lutando dia a dia para segurar sua alegria silenciosamente, como um jardim que continua a fazer flor porque suas raízes se alimentam das profundezas da seiva que vêm de sua alma.
E eu caminho...dos 30 para os 40 perdida na poesia triste de minhas histórias...Caminho às vezes correndo e ofegante...às vezes devagar vendo a vida passar e sentindo que não quero morrer como meu pai, mas também não quero viver como minha mãe.
Continuo lutando para fazer do dia a minha noite, e da minha noite o meu dia...Olho atentamente as nuvens lá no céu porque talvez nelas exista desenhada uma outra forma, uma outra maneira de viver e de morrer...

17/02/14